Rodrigues Alves
5º Presidente da República
5º
Presidente da República
Conselheiro do Império convertido à República, fazendeiro de Guaratinguetá, Francisco de Paula Rodrigues Alves representou a continuidade da elite paulista no poder — e, paradoxalmente, o quadriênio mais transformador da Primeira República. Eleito em 1902, herdou finanças saneadas e as converteu em obras.
Deu carta branca ao prefeito Pereira Passos para reconstruir o Rio de Janeiro: o 'bota-abaixo' rasgou avenidas sobre os cortiços coloniais, remodelou o porto e europeizou a capital, ao custo do despejo em massa dos pobres para os morros.
Ao sanitarista Oswaldo Cruz coube erradicar a febre amarela e a varíola — missão que detonou, em 1904, a Revolta da Vacina, insurreição popular contra a vacinação obrigatória, sufocada em uma semana. Na diplomacia, o Barão do Rio Branco incorporou o Acre pelo Tratado de Petrópolis (1903).
Reeleito em 1918 para um segundo mandato, foi vitimado pela gripe espanhola e morreu em janeiro de 1919, sem tomar posse — caso único na história presidencial. Ficou como o símbolo do estadista realizador: o presidente que deu forma física à República.
Perfil e Trajetória
Formação
Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco (São Paulo).
Línguas
Principais feitos
- Reforma urbana e sanitária do Rio de Janeiro (Pereira Passos e Oswaldo Cruz)
- Incorporação do Acre (Tratado de Petrópolis, 1903)
- Único eleito duas vezes na Primeira República (morreu antes da 2ª posse)
Outros cargos públicos
- Deputado
- Ministro da Fazenda (2x)
- Governador de São Paulo (2x)
Títulos e honrarias
- Conselheiro do Império
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
Usava o mesmo chapéu e o mesmo fraque surrado — a elite carioca zombava da sobriedade do fazendeiro presidente.
A reforma de Pereira Passos demoliu cerca de 1.600 cortiços; o 'bota-abaixo' criou a expressão e empurrou os pobres para os morros.
Perdeu uma filha para a peste bubônica — combatia epidemias também por tragédia pessoal.
É o único presidente eleito duas vezes que morreu sem exercer o segundo mandato.