D. Pedro II
2º Imperador do Brasil
2º
Imperador do Brasil
Órfão de mãe no primeiro ano de vida e separado do pai aos cinco, com a abdicação, Pedro de Alcântara foi criado pelo Estado para ser rei: tutores rígidos, jornadas de estudo de dez horas, infância sem brinquedos. A crise das regências apressou o destino — em 1840, aos 14 anos, o Parlamento o declarou maior, e ele reinaria por quase meio século.
Sob o parlamentarismo imperial, alternou gabinetes liberais e conservadores com a arbitragem do Poder Moderador, garantindo ao Brasil uma estabilidade que contrastava com os caudilhismos vizinhos. Venceu a Guerra do Paraguai (1864–1870), consolidou o território e presidiu a modernização material: ferrovias, telégrafo, navegação a vapor, imigração.
Erudito genuíno, correspondia-se com Pasteur e Victor Hugo, estudava línguas do hebraico ao tupi, fotografava, e preferia — dizia — ter sido professor a imperador. Mas o trono assentava sobre a escravidão, que ele foi desmontando por etapas: Lei Eusébio de Queirós, Ventre Livre, Sexagenários e, por fim, a Lei Áurea de 1888, assinada pela filha Isabel.
A abolição custou-lhe o último pilar de apoio: fazendeiros ressentidos somaram-se a militares positivistas, e em 15 de novembro de 1889 o golpe republicano o depôs sem resistência. Morreu em Paris, em 1891, num quarto de hotel, guardando terra do Brasil na mala; o país que o baniu o repatriou com honras em 1921, e o "imperador-cidadão" permanece figura de afeto raro na memória nacional.
Perfil e Trajetória
Formação
Tutoria palaciana intensiva (José Bonifácio e o Marquês de Itanhaém); erudito autodidata em ciências, línguas e artes.
Línguas
Principais feitos
- Reinado de 49 anos, o mais longo governo da história do Brasil
- Venceu a Guerra do Paraguai (1864–1870)
- Modernização: ferrovias, telégrafo, navegação a vapor e imigração
- Mecenas do IHGB e das ciências; fotógrafo pioneiro no país
Títulos e honrarias
- Membro estrangeiro da Royal Society (Londres)
- Membro da Academia de Ciências da França
- Sócio da American Philosophical Society
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
Estudava hebraico, árabe, sânscrito e tupi por prazer, e traduzia poesia nas horas vagas.
Foi o primeiro brasileiro fotografado — e um dos primeiros colecionadores de fotografia do mundo; sua coleção, doada à Biblioteca Nacional, tem 25 mil imagens.
Testou o telefone com Graham Bell na exposição da Filadélfia (1876); a frase 'Meu Deus, isto fala!' virou lenda.
Dizia que preferia ser professor a imperador — e visitava escolas de surpresa para arguir os alunos.
Morreu num hotel modesto em Paris; no caixão, foi colocada a terra do Brasil que ele guardava num embrulho.