Diogo Antônio Feijó
Regente Uno do Império
Filho de pais incógnitos, criado em São Paulo, Diogo Antônio Feijó ordenou-se padre e viveu a primeira metade da vida entre a batina e a lavoura. A política o capturou tarde: eleito às Cortes de Lisboa em 1821, destacou-se pela independência de espírito, recusando-se a jurar a constituição portuguesa que subordinava o Brasil.
Foi como ministro da Justiça da Regência (1831–1832) que se tornou lenda: num Rio de Janeiro convulsionado pela abdicação, enfrentou motins e conspirações com energia implacável e criou a Guarda Nacional, milícia cidadã que sustentaria a ordem imperial por décadas. O padre austero virou sinônimo de autoridade.
O Ato Adicional de 1834 criou a Regência Una eletiva, e Feijó venceu a primeira eleição, assumindo em 1835 como uma espécie de presidente sem coroa. Governou dois anos sob fogo cruzado: a Cabanagem incendiava o Pará, os Farrapos levantavam o Sul, e o Parlamento, dominado pelos regressistas, negava-lhe os meios de agir.
Renunciou em 1837, voltou ao Senado e, em 1842, aderiu à Revolução Liberal paulista — foi preso e desterrado, julgando ele próprio sua sentença num célebre discurso de defesa. Morreu em 1843, símbolo do liberalismo austero: um estadista que preferiu perder o poder a corromper as próprias convicções.
Perfil e Trajetória
Formação
Formação eclesiástica; ordenado padre em São Paulo (1808).
Principais feitos
- Criou a Guarda Nacional (1831)
- Como ministro da Justiça, conteve as revoltas do pós-abdicação
- Primeiro regente uno eleito do Império
Outros cargos públicos
- Deputado às Cortes de Lisboa (1821)
- Ministro da Justiça (1831–1832)
- Senador do Império
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
Padre, defendeu abertamente o fim do celibato clerical — e enfrentou Roma por isso.
Governou o Império morando com simplicidade quase monástica; recusava pompas de chefe de Estado.
Preso após a Revolução Liberal de 1842, fez ele próprio sua defesa no Senado, doente, em uma cadeira.
É o único sacerdote católico que já chefiou o Estado brasileiro.