Jânio Quadros
22º Presidente da República
22º
Presidente da República
Jânio da Silva Quadros foi o meteoro da política brasileira: professor de português nascido em Campo Grande, subiu em quatorze anos de vereador a presidente, sempre contra as máquinas partidárias, sempre com a vassoura como símbolo — varrer a corrupção — e um personagem teatral de fome, caspa e gravata torta cuidadosamente encenado.
Prefeito e governador de São Paulo com fama de administrador rigoroso, elegeu-se presidente em 1960 com a maior votação proporcional da história até então, apoiado pela UDN que ele desprezava e desprezando o programa de quem o apoiava.
Em sete meses, impôs austeridade dura, proibiu de lança-perfume a briga de galo, e lançou a Política Externa Independente: reatou com a URSS, defendeu Cuba e condecorou Che Guevara com a Cruzeiro do Sul — afrontando deliberadamente sua base conservadora.
Em 25 de agosto de 1961, renunciou por surpresa, culpando 'forças terríveis' que jamais nomeou — aposta, ao que tudo indica, num retorno triunfal de braços dados com as massas e os quartéis, que o Congresso frustrou aceitando a renúncia em minutos. Ainda seria prefeito de São Paulo em 1985; morreu em 1992, indecifrável até o fim.
Perfil e Trajetória
Formação
Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco (São Paulo); professor de português.
Línguas
Principais feitos
- Eleito presidente com a maior votação proporcional até então (1960)
- Lançou a Política Externa Independente
- Percorreu todos os degraus eletivos: vereador a presidente em 14 anos
Outros cargos públicos
- Vereador e deputado estadual
- Prefeito de São Paulo (1953 e 1985)
- Governador de São Paulo
- Deputado federal
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
Fazia campanha com uma vassoura e o jingle 'varre, varre, vassourinha' — o primeiro grande marketing eleitoral do país.
Proibiu por decreto o lança-perfume no carnaval e as rinhas de galo — o Brasil discutiu semanas sobre isso.
Comia sanduíche de mortadela em público e cultivava a caspa no paletó como prova de autenticidade.
Sua renúncia durou tão pouco a ser aceita que ele soube pelo rádio, a caminho de São Paulo.
Voltou 24 anos depois: eleito prefeito de São Paulo em 1985, derrotando FHC.