Tomé de Sousa
1º Governador-Geral do Brasil
1º
Governador-Geral do Brasil
Em meados do século XVI, a coroa portuguesa percebeu que o sistema de capitanias hereditárias fracassara: das quinze faixas doadas a particulares, apenas duas prosperavam, enquanto franceses rondavam a costa. Foi nesse contexto de crise que D. João III instituiu o Governo-Geral e escolheu, para inaugurá-lo, um militar de confiança: Tomé de Sousa, fidalgo curtido nas praças africanas e na carreira da Índia.
Desembarcando na Bahia em março de 1549 com cerca de mil homens, Tomé de Sousa fundou Salvador, cidade-fortaleza planejada para ser a capital da América Portuguesa. Trouxe consigo o aparato de um Estado nascente — ouvidor, provedor-mor, alcaide — e os primeiros jesuítas, liderados por Manuel da Nóbrega, selando a aliança entre a espada e a cruz que marcaria a colonização.
Seu governo de quatro anos organizou a fazenda real, distribuiu sesmarias, incentivou os engenhos de açúcar e percorreu o litoral inspecionando as capitanias remanescentes. O Regimento de 1548, que balizou sua ação, é considerado a primeira grande peça administrativa da história do Brasil, definindo justiça, defesa e tributação.
De volta a Portugal em 1553, seguiu prestigiado na corte até morrer, em 1579. A historiografia o consagra como o organizador do Estado no Brasil: a estrutura que implantou perduraria, com adaptações, por mais de dois séculos e meio, e Salvador permaneceria capital até 1763.
Perfil e Trajetória
Formação
Formação militar prática nas campanhas portuguesas do Norte da África e na carreira da Índia (sem formação universitária).
Línguas
Principais feitos
- Fundou Salvador, primeira capital do Brasil (1549)
- Implantou o Governo-Geral, primeiro governo centralizado da colônia
- Distribuiu sesmarias e organizou a fazenda real e a defesa do litoral
Outros cargos públicos
- Capitão nas praças do Norte da África
- Vedor da Casa Real, em Lisboa
Títulos e honrarias
- Fidalgo da Casa Real portuguesa
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
Era filho ilegítimo de um cônego e nunca soube ao certo o próprio ano de nascimento.
Sua frota trazia de tudo: funcionários, soldados, degredados e até material pré-fabricado para erguer Salvador.
O Regimento de 1548 que o guiava é chamado por historiadores de "primeira constituição do Brasil".
Recusou-se a voltar ao Brasil como vice-rei anos depois, preferindo a rotina da corte lisboeta.