José Linhares
15º Presidente da República
15º
Presidente da República
Cearense de Baturité, José Linhares dedicou a vida inteira à magistratura: promotor, juiz, desembargador, ministro do Supremo Tribunal Federal desde 1937 e seu presidente a partir de 1945. Jurista discreto, jamais disputou uma eleição — e nem precisaria.
Quando os generais depuseram Getúlio Vargas, em 29 de outubro de 1945, a Constituição do Estado Novo não previa vice-presidente: a chefia do STF fazia de Linhares o sucessor constitucional. Assumiu naquela mesma noite, para espanto do próprio.
Seu governo de 94 dias teve um único programa: entregar o poder limpo. Anulou o aparato repressivo do Estado Novo, trocou interventores por magistrados apolíticos e garantiu, em 2 de dezembro de 1945, a eleição mais livre que o país já tivera.
Empossado Dutra, voltou silenciosamente à cadeira de ministro do Supremo, onde ficou até se aposentar. Morreu em 1957 — o único chefe do Judiciário a presidir o Brasil, e talvez o único presidente que fez questão de não deixar saudade no cargo.
Perfil e Trajetória
Formação
Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco (São Paulo).
Línguas
Principais feitos
- Único chefe do Judiciário a exercer a Presidência da República
- Garantiu as eleições livres de dezembro de 1945
Outros cargos públicos
- Juiz e desembargador
- Ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
Soube que seria presidente na noite da deposição de Vargas, por telefone, e teria perguntado se era trote.
Presidiu o país e o STF ao mesmo tempo — acumulação única na história.
Recusou candidatar-se: repetia que juiz não disputa eleição.
Ao deixar a presidência, seguiu julgando no Supremo por mais uma década, como se os 94 dias no Catete tivessem sido um parêntese.