João Goulart
24º Presidente da República
24º
Presidente da República
João Belchior Marques Goulart — Jango — era estancieiro em São Borja, vizinho e afilhado político de Getúlio Vargas, quando o trabalhismo o tragou: deputado, ministro do Trabalho aos 34 anos (derrubado pela crise do aumento de 100% do salário mínimo), duas vezes vice-presidente, eleito com JK e reeleito com Jânio na chapa adversária.
A renúncia de Jânio, em 1961, quase lhe custou o direito de posse: os ministros militares o vetaram como 'agente da subversão', e só a Campanha da Legalidade de Brizola e a emenda parlamentarista de compromisso o levaram ao Planalto com poderes cortados — que o plebiscito de janeiro de 1963 devolveria por 4 a 1.
Seu governo apostou tudo nas Reformas de Base — agrária, urbana, bancária, educacional — num país polarizado pela Guerra Fria: inflação galopante, conspiração empresarial-militar financiada de fora, radicalização à esquerda e à direita. O Comício da Central, em 13 de março de 1964, e a Marcha da Família, dias depois, mediram forças nas ruas.
Na noite de 31 de março os quartéis se moveram; sem disposição para uma guerra civil, Jango partiu para o exílio uruguaio sem renunciar. Morreu na Argentina em 1976, sem nunca rever o Brasil em liberdade; só em 2013 seu corpo recebeu honras de chefe de Estado. Último presidente do ciclo trabalhista, virou o símbolo da democracia interrompida.
Perfil e Trajetória
Formação
Direito pela Faculdade de Direito de Porto Alegre.
Línguas
Principais feitos
- Sancionou o 13º salário (Lei 4.090/1962)
- Venceu o plebiscito de 1963 que restaurou o presidencialismo
- Propôs as Reformas de Base
Outros cargos públicos
- Deputado estadual e federal
- Ministro do Trabalho (1953–1954)
- Vice-presidente da República (2x: com JK e com Jânio)
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
Perdeu parte do movimento de uma perna na juventude (sequela de infecção), o que o tirou do futebol — era craque em São Borja.
Herdou de Vargas o espólio político e até o apelido de 'herdeiro do getulismo' — com todos os bônus e ódios.
No exílio uruguaio, virou próspero fazendeiro; morreu de infarto na Argentina, sem autópsia — em 2013 o corpo foi exumado por suspeita de envenenamento, não comprovada.
Foi o único presidente a assumir sob parlamentarismo imposto e a revogá-lo por plebiscito.