Fernando Henrique Cardoso
34º Presidente da República
34º
Presidente da República
Fernando Henrique Cardoso, sociólogo formado na USP e coautor da teoria da dependência, alcançou renome internacional com cátedras na França, Chile e Inglaterra após ser cassado pelo AI-5. Na redemocratização, elegeu-se senador por São Paulo, fundou o PSDB e assumiu os ministérios das Relações Exteriores e da Fazenda de Itamar Franco, onde capitaneou a formulação do Plano Real.
A estabilização da moeda projetou sua vitória presidencial em primeiro turno em 1994 contra Lula. Em dois mandatos sucessivos — reeleito em 1998 após aprovação da polêmica emenda da reeleição, processo manchado por denúncias de compra de votos —, conduziu ampla reforma do Estado: privatizou o sistema Telebrás, a Vale do Rio Doce e bancos estaduais, eliminou monopólios e criou as agências reguladoras (Anatel, Aneel, ANP, Anvisa).
Após a crise cambial e a desvalorização do real em 1999, instituiu o tripé macroeconômico (metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário) e sancionou a Lei de Responsabilidade Fiscal, divisor de águas na gestão pública. Na área social, universalizou o ensino fundamental pelo Fundef, implantou o programa de medicamentos genéricos e os primeiros programas federais de transferência de renda (Bolsa Escola e Bolsa Alimentação). Enfrentou, contudo, desemprego elevado, juros que superaram 40%, rápida alta da dívida pública e o desgaste do Apagão Elétrico de 2001.
Transmitiu o cargo a Lula em janeiro de 2003 em transição republicana exemplar. Membro da Academia Brasileira de Letras, permaneceu como referência do pensamento político e da social-democracia brasileira, com um legado marcado pela consolidação da estabilidade econômica e pela modernização do arcabouço regulatório nacional.
Perfil e Trajetória
Formação
Sociologia pela USP; doutorado e livre-docência pela USP; professor em Santiago, Paris (Nanterre) e Cambridge.
Principais feitos
- Coautor da teoria da dependência, clássico das ciências sociais
- Comandou a concepção do Plano Real como ministro da Fazenda
- Tripé macroeconômico, Lei de Responsabilidade Fiscal e estabilização duradoura
- Privatizações estruturais e criação das agências reguladoras (Anatel, Aneel, ANP, Anvisa)
- Universalização do ensino fundamental (Fundef), lei dos genéricos e programas precursores de renda (Bolsa Escola)
- Primeiro presidente reeleito da história do Brasil (1998)
Outros cargos públicos
- Senador por São Paulo
- Ministro das Relações Exteriores
- Ministro da Fazenda
Títulos e honrarias
- Membro da Academia Brasileira de Letras (cadeira 36)
- Dezenas de doutorados honoris causa (Rutgers, Cambridge, entre outros)
- Grã-Cruz de diversas ordens nacionais e estrangeiras
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
É um dos sociólogos mais citados do mundo; colegas de USP diziam que 'perdeu-se um Weber, ganhou-se um presidente'.
Foi caixeiro-viajante das próprias ideias no exílio: deu aulas em Santiago, Paris, Cambridge, Princeton e Berkeley.
Seu governo criou os primeiros programas federais de transferência de renda focalizada (Bolsa Escola e Bolsa Alimentação, capitaneados por Ruth Cardoso e Cristovam Buarque), precursores do Bolsa Família.
A frase 'esqueçam o que escrevi' — atribuída a ele sobre sua obra de esquerda — é apócrifa: nunca a disse nesses termos.
Entrou para a ABL aos 82 anos, na cadeira 36 — a mesma área de interesse do patrono, o abolicionista José Bonifácio, o Moço.