Emílio Garrastazu Médici
28º Presidente da República
28º
Presidente da República
Emílio Garrastazu Médici, gaúcho de Bagé, construiu carreira discreta no Exército até alcançar postos de inteligência e comando: chefiou a AMAN, o SNI e o III Exército. Indicado pelo Alto Comando e referendado por um Congresso reaberto sob vigilância, assumiu a presidência em outubro de 1969.
Seu quadriênio sintetizou a mais dramática contradição do regime: a coexistência do auge do 'Milagre Econômico' com o ápice do terror de Estado. Na economia, com Delfim Netto, o PIB expandiu-se a taxas superiores a 10% ao ano, impulsionado por obras monumentais — a Ponte Rio–Niterói, o início da Rodovia Transamazônica, hidroelétricas e a criação do Incra e da Embratel —, gerando empregos e entusiasmo popular, alimentado pelo ufanismo do tricampeonato de futebol de 1970.
Nos subterrâneos, o aparato de segurança (DOI-CODI/OBAN) institucionalizou a tortura sistemática, execuções e desaparecimentos de opositores, além do extermínio sigiloso da Guerrilha do Araguaia. A censura a jornais, livros, peças e canções foi implacável, enquanto a política econômica acentuava as disparidades na distribuição de renda.
Transmitiu o cargo a Ernesto Geisel em 1974 e manteve-se em absoluto silêncio público até morrer em 1985. Seu mandato permanece como referência clássica da ambivalência histórica entre pujança material/infraestrutural e a destruição das garantias humanas e da liberdade política.
Perfil e Trajetória
Formação
Escola Militar do Realengo (cavalaria) e Escola de Estado-Maior.
Principais feitos
- Governou no auge do "Milagre Econômico" (crescimento do PIB acima de 10% ao ano)
- Grandes obras de infraestrutura: Ponte Rio–Niterói, início da Transamazônica e criação do Incra e da Embratel
Outros cargos públicos
- Comandante da Academia Militar das Agulhas Negras
- Adido militar em Washington
- Chefe do SNI
- Comandante do III Exército
Títulos e honrarias
- General de Exército
Curiosidades
Fatos pessoais e situações peculiares registrados pela historiografia e pelo anedotário político.
Ia aos estádios com radinho de pilha colado ao ouvido — a imagem do presidente torcedor virou propaganda involuntária do regime.
Escalou mentalmente a seleção de 70 e comemorou o tri no Planalto; o técnico João Saldanha, comunista, fora trocado meses antes.
Recusou-se a escrever memórias: 'meu governo fala por si', dizia — e morreu sem dar uma única entrevista sobre os anos de chumbo.
Pesquisas da época davam-lhe 80% de aprovação — no auge da censura e da tortura.