Pular para o conteúdo

Curadoria Histórica · Líderes do Brasil

Projeto Mandato

Candidato à Presidência · 2026

Ronaldo Caiado

Posição no espectro político

Direita

Origem: Classificação da imprensa — sem autodeclaração localizada.

Fonte : Ronaldo Caiado é de direita ou esquerda? A posição ideológica do governador — ND Mais

Falar direto com a campanha

O eleitor não precisa de intermediário para ouvir o candidato. Quando a chapa declarou o endereço no próprio registro da candidatura, é esse que aparece aqui.

Plano de governo

A Lei das Eleições obriga toda chapa presidencial a entregar sua proposta de governo no registro da candidatura. O documento abaixo é o que foi protocolado — leia a íntegra e tire suas próprias conclusões.

Documento protocolado no TSE

Plano de Governo — Eleição Presidencial 2026, 2027 a 2030

100 páginas · Plano de Governo Ronaldo Caiado Presidente.pdf

Cem páginas em 26 temas, assinadas com Gilberto Kassab e abertas por uma carta de compromisso — “muito pra mostrar, nada pra esconder”. O texto promete que a segurança pública será “responsabilidade direta da Presidência da República” e recusa a polarização como método de governo. Fonte : Plano de governo de Ronaldo Caiado (PSD) — p. 2 do PDF protocolado no TSE

O que o plano propõe

Pontos extraídos da leitura do próprio PDF — cada um indica a página onde está, para você conferir. É um índice para a leitura, não substituto dela: a íntegra está no botão acima.

Quem é

Profissão
Médico ortopedista · Produtor rural
Escolaridade declarada ao TSE
Superior completo
Ocupação declarada ao TSE
Médico
Município de nascimento (registro)
Anápolis / GO
Estado civil
Casado(a)
Cor/raça autodeclarada
Branca

Onde e o que estudou

  • Medicina · Graduação

    Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

    Concluído

    Especializou-se em ortopedia e traumatologia; foi professor auxiliar do departamento da UFRJ entre 1978 e 1979.

Trajetória e cargos ocupados

  • Governador de Goiás (2019–2026, dois mandatos)
  • Senador por Goiás (2015–2019)
  • Deputado federal por Goiás — cinco mandatos (1991–2015)
  • Presidente da União Democrática Ruralista (UDR), 1986–1989

Disputas anteriores

Disputou a Presidência pela primeira vez em 1989. Neto de Antônio Ramos Caiado, oligarca goiano que foi deputado federal e senador na Primeira República.

O plano, setor a setor

Leitura do documento protocolado, capítulo a capítulo. Cada medida indica a página em que está no PDF — clique para conferir no original. Setor sem entrada é setor que o plano não trata.

Economia e impostos

No documento: Tema 4 · Estabilização fiscal e Tema 5 · Uma agenda para o crescimento

O diagnóstico do plano

O plano parte de uma “crise fiscal estrutural”: despesas obrigatórias, benefícios tributários e subsídios cresceram a ponto de comprimir o investimento público, a dívida sobe em relação ao PIB e os juros reais estão “entre os mais altos do mundo”. O texto admite que o problema não se resolve em um mandato.

Ajuste fiscal plurianual sem aumento de carga tributária nem cortes lineares, seguido de uma agenda de crescimento puxada pelo investimento privado e pela produtividade — e não por estímulo ao consumo, que o documento associa a “inflação, déficit e desvalorização”.

O que propõe · 8 medidas

  • Publicar o “Orçamento da Verdade” nos primeiros meses: diagnóstico completo de despesas obrigatórias, passivos, subsídios, benefícios tributários, restos a pagar, fundos, garantias e riscos fiscais.p. 12
  • Adotar estratégia fiscal plurianual com metas anuais, bandas de tolerância e cláusulas de correção, para estabilizar a dívida/PIB e recuperar superávits primários.p. 12
  • Fazer as despesas obrigatórias crescerem abaixo do PIB nominal, preservando direitos adquiridos e com regras de transição.p. 12
  • Rever subsídios e benefícios tributários exigindo prazo, beneficiário, contrapartida e avaliação independente; encerrar os que não apresentarem resultado.p. 12
  • Combater supersalários, aplicando o teto constitucional em todos os Poderes com transparência das parcelas remuneratórias.p. 12
  • Reordenar as emendas parlamentares com o Congresso, reduzindo pulverização e exigindo critérios de planejamento, custo total e resultado.p. 13
  • Coordenar política fiscal e monetária respeitando a autonomia do Banco Central, para que juros menores e desenvolvimento coexistam.p. 13
  • Elevar a taxa de investimento e criar carteira nacional priorizada de projetos, separando manutenção de expansão, com a iniciativa privada como “principal motor”.p. 14

Trabalho e emprego

O plano de governo protocolado não trata deste tema.

Segurança pública

No documento: Tema 6 · Segurança pública e combate à corrupção

O diagnóstico do plano

As facções “já atuam em todas as unidades da Federação”, controlam territórios, rotas logísticas e presídios, e na Amazônia se articulam ao garimpo ilegal, à grilagem e ao tráfico de pessoas. O plano trata a corrupção como “parte da infraestrutura do crime organizado” e apresenta Goiás como prova de que o quadro pode mudar.

É o capítulo mais detalhado do documento. Propõe uma nova arquitetura federal — Ministério da Segurança Pública, sistema de inteligência criminal e comando de fronteiras — apoiada numa Lei do Terrorismo Doméstico com penas mínimas altíssimas e um regime prisional próprio para lideranças de facção.

O que propõe · 13 medidas

  • Criar o Ministério da Segurança Pública e o Conselho Estratégico Nacional de Segurança Pública e Combate ao Terrorismo Doméstico, sob liderança da Presidência e com participação dos governadores.p. 16
  • Instituir o Sistema Integrado de Proteção à Soberania Nacional, com Comando Nacional de Combate ao Terrorismo Doméstico, Comando Nacional de Fronteiras e Corredores Logísticos, Sistema Nacional de Inteligência Criminal e academia própria de especialização.p. 16
  • Aprovar Lei do Terrorismo Doméstico enquadrando PCC, CV e milícias — o que permitiria integrar as Forças Armadas ao combate ao crime organizado sem necessidade de GLO.p. 17
  • Penas mínimas de 45 anos para associação ou recrutamento em organização terrorista doméstica e de 35 anos para financiamento, lavagem e apoio logístico; novo tipo penal de uso da advocacia para transmitir ordens do crime, com perda do diploma.p. 17
  • Criar o REDAD (Regime Especial Disciplinar Antiterrorismo Doméstico): cela individual, proibição de visita íntima, monitoramento de conversas com advogados e progressão só após 90% da pena cumprida.p. 17
  • Asfixiar financeiramente as facções: crime de enriquecimento incompatível com pena de 20 anos (o dobro para líderes), inversão do ônus da prova patrimonial, perda de bens autônoma e alienação antecipada obrigatória de aeronaves, imóveis, empresas e criptoativos.p. 17
  • Instituir Fundo Nacional de Combate ao Terrorismo Doméstico, financiado pelos bens recuperados, fora do orçamento discricionário e não contingenciável.p. 18
  • Retomar o controle territorial da Amazônia Legal, com centros integrados de comando, satélites SAR, drones e modernização do SISFRON, CINDACTA e SisGAAZ.p. 18
  • Propor aos vizinhos a criação da SULPOL, agência permanente de cooperação policial sul-americana.p. 18
  • Criar a Secretaria Nacional da Segurança da Mulher, da Criança e Minorias; endurecer penas de feminicídio com progressão após 90% da pena e perdimento total de bens em favor da vítima; estimular Batalhões Maria da Penha.p. 19
  • Regulamentar com rigor as apostas on-line, proibindo publicidade em mídia de massa e redes sociais e tratando a ludopatia como questão de saúde pública.p. 19
  • Aprovar a PEC da redução da maioridade penal para 16 anos, restrita a homicídio, tortura, estupro de vulnerável, roubo com violência e crimes da nova Lei do Terrorismo Doméstico; equiparar a roubo o furto de celular por arrebatamento.p. 20
  • Criar o Sistema Nacional Anticorrupção e propor a Lei do Enriquecimento Ilícito, com bloqueio cautelar e perda civil de bens de agentes públicos sem origem comprovada.p. 20

Fora do plano: Faz da segurança pública o eixo central da candidatura, com base na política adotada em Goiás. Fonte : Eleições 2026: quem são os 13 candidatos à Presidência — InfoMoney

Saúde

No documento: Tema 25 · Saúde

O diagnóstico do plano

O plano parte da transição demográfica: em 2022 já eram mais de 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, e em 2070 “quase quatro em cada dez” estarão nessa faixa. A crítica central é que o SUS foi organizado “para agir quando a doença já estava instalada”.

Preservar o SUS como sistema universal e reorganizá-lo por missões — filas, crônicas, redes de infarto, AVC e câncer, vacinação, saúde mental, doenças raras — com atenção primária resolutiva, acesso regulado por risco clínico e produção nacional de medicamentos e vacinas como soberania sanitária.

O que propõe · 6 medidas

  • Inverter a lógica assistencial: identificar riscos, prevenir e diagnosticar precocemente, em vez de agir quando o paciente chega ao pronto-socorro.p. 75
  • Garantir que o cidadão saiba qual equipe o acompanha, qual sua prioridade, quanto tempo esperará e qual serviço responde por cada etapa.p. 75
  • Organizar a saúde por regiões, com acesso regulado por risco clínico, especialistas conectados e hospitais avaliados por qualidade.p. 75
  • Atuar por missões: reduzir filas evitáveis; controlar doenças crônicas; estruturar redes de infarto, AVC, câncer, saúde da mulher, infância, longevidade, saúde mental e saúde indígena.p. 75
  • Recuperar a cobertura vacinal e integrar dados do sistema.p. 75
  • Fortalecer a produção nacional de medicamentos, vacinas, imunobiológicos e terapias avançadas, tratando a inovação como instrumento de soberania sanitária.p. 75

Educação

No documento: Tema 11 · Educação

O diagnóstico do plano

O texto reconhece que o país “praticamente universalizou o acesso à escola” mas ainda aceita que muitas crianças não sejam alfabetizadas, e aponta queda acentuada da aprendizagem ao longo da trajetória escolar, com a expansão de licenciaturas a distância de baixa qualidade fragilizando a formação docente.

Aprendizagem como prioridade nacional, com a União concentrada em padrões, avaliação, financiamento com equidade e formação docente — respeitando a gestão local. Dezesseis linhas de ação, da alfabetização na idade certa ao ensino superior.

O que propõe · 8 medidas

  • Pacto Nacional pela Alfabetização e Matemática na Idade Certa: toda criança lendo, escrevendo e dominando fundamentos matemáticos até o fim do 2º ano.p. 32
  • Universalizar a pré-escola e ampliar creches com prioridade para famílias vulneráveis e territórios de baixa oferta.p. 32
  • Recomposição nacional das aprendizagens, com diagnóstico por estudante e meta de reduzir drasticamente o contingente abaixo do básico.p. 32
  • Elevar o padrão das licenciaturas, exigir prática supervisionada robusta e restringir cursos de baixa qualidade, com bolsas para bons estudantes que escolham a docência.p. 33
  • Estimular a seleção de diretores por competência e participação da comunidade, com plano de aprendizagem por escola.p. 33
  • Ampliar a escola em tempo integral “com propósito”, priorizando educação infantil, anos finais e ensino médio em territórios vulneráveis.p. 33
  • Expandir a educação profissional e tecnológica em escala, em parceria com institutos federais, redes estaduais, Sistema S e empresas.p. 33
  • No ensino superior, fechar ou reestruturar cursos persistentemente insuficientes e criar residências tecnológicas e mestrados profissionais ligados a empresas.p. 34

Meio ambiente

No documento: Tema 16 · Meio ambiente (e Tema 23 · Região amazônica)

O diagnóstico do plano

O documento critica os dois extremos: a política ambiental “deixará de ser campo de polarização entre permissividade e punição indiscriminada”. Aponta que o modelo de comando e controle “tornou-se pouco eficiente quando não distingue risco, porte e comportamento” — empreendedores regulares enfrentam incerteza enquanto infratores organizados exploram lacunas.

Transformar conservação em prosperidade: rigor contra desmatamento, grilagem e garimpo ilegal, combinado com licenciamento por risco e prazo, mercado de carbono regulado, pagamento por serviços ambientais e bioeconomia. A natureza é tratada como “ativo soberano do povo brasileiro”.

O que propõe · 8 medidas

  • Grande Pacto Nacional pelo Desenvolvimento Sustentável, reunindo União, estados, municípios, setor produtivo, ciência, Judiciário e Ministério Público.p. 50
  • Licenciamento ambiental por risco, prazo e objetividade, com exigências proporcionais ao impacto e procedimentos simplificados para baixo risco.p. 50
  • Implementação integral do Código Florestal, acelerando a validação do CAR e transformando recuperação em atividade econômica com crédito, sementes e carbono.p. 51
  • Operacionalizar o mercado de carbono regulado brasileiro com padrões de rastreabilidade, e escalar o Pagamento por Serviços Ambientais para produtores, indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.p. 51
  • Combate integrado ao desmatamento e à grilagem responsabilizando financiadores e compradores de produtos ilegais, e não apenas “executores na ponta”.p. 51
  • Programa Água para o Futuro: proteção de nascentes, recuperação de matas ciliares, reuso, recarga de aquíferos e infraestrutura resiliente.p. 51
  • Acelerar a universalização de água e esgoto, encerrar lixões e induzir economia circular com logística reversa e inclusão de catadores.p. 52
  • Diplomacia ambiental soberana: cooperar nas negociações climáticas “sem aceitar tutela sobre seu território ou recursos”.p. 52

Reforma do Estado

No documento: Tema 3 · Reformar o sistema político

O diagnóstico do plano

O plano descreve a lista aberta como geradora de um sistema “fragmentado, personalista e pouco inteligível para o cidadão”, e aponta que a ausência de maiorias parlamentares orgânicas transforma a governabilidade em “negociação permanente de curto prazo”.

Reforma política conduzida por diálogo com o Congresso — o texto é explícito em que “não será imposta unilateralmente” —, centrada no distrital misto, na democracia interna dos partidos e na rastreabilidade integral do dinheiro público e partidário.

O que propõe · 6 medidas

  • Liderar a adoção do sistema distrital misto, com parte dos representantes eleita em distritos territoriais e parte por listas partidárias.p. 10
  • Propor o fim da reeleição no Poder Executivo por PEC no início do mandato, com aplicação inclusive ao mandato presidencial iniciado em 2027.p. 10
  • Exigir democracia interna nos partidos: regras transparentes para convenções, escolha de dirigentes e candidatos e participação dos filiados.p. 10
  • Tornar o financiamento político integralmente rastreável, com publicação em formato aberto de receitas, despesas, fornecedores e beneficiários finais.p. 10
  • Criar painel único de emendas parlamentares com autoria, objeto, município, beneficiário final, licitação e execução física.p. 11
  • Instituir verificação prévia de integridade, quarentena e declaração de interesses para altas autoridades e dirigentes de estatais.p. 11

Costumes e direitos

O plano de governo protocolado não trata deste tema.

Política externa

No documento: Tema 24 · Relações exteriores e a inserção do Brasil no mundo

O diagnóstico do plano

O plano rejeita tanto a reação passiva quanto “o saudosismo de uma ordem que já não existe”, diante da reconfiguração da ordem internacional.

Política externa como política de Estado e parte da estratégia de desenvolvimento, com a diplomacia atuando junto ao setor produtivo. A fórmula declarada é “não apenas exportar mais, mas exportar melhor”, sem alinhamentos automáticos.

O que propõe · 3 medidas

  • Fortalecer relações com Estados Unidos, União Europeia, América Latina, África, Ásia e Oriente Médio, “sem alinhamentos automáticos”.p. 72
  • Definir autonomia como liberdade de decisão sustentada pela diversificação de mercados, parceiros e tecnologias — e não como neutralidade ou equidistância.p. 72
  • Usar a diplomacia para ampliar mercados, atrair investimentos e assegurar acesso a tecnologias críticas, elevando a complexidade tecnológica das exportações.p. 72

Escândalos, acusações e processos

Só entra aqui o que tem decisão, denúncia ou investigação documentada, com o desfecho declarado — inclusive quando o desfecho favorece o candidato. Acusação sem desfecho e boato não entram.